quinta-feira, 12 de setembro de 2019

1. A CATEDRAL (1)

Há tempos, a caminho do Museu do Aljube, deparo, à minha direita, com a Sé, aonde não vou anos; e logo, voltado para o edifício medieval, vem-me à cabeça o formoso romance de Manuel Ribeiro, A Catedral (1920) -- sinal de que perdurou na minha memória e confirmação do agrado com que o li pela primeira vez. É um romance realista, e não inova do ponto de vista do estilo ou da estrutura. Também o Concerto para piano n.º 2, de Rachmaninov, não o faz. E depois?!
E depois, há todo o interesse da figura pública de Manuel Ribeiro (1871-1941), alguém que vai mudando de campo político, sem nunca (se) trair. Ferroviário de profissão, é como anarco-sindicalista que intervém enquanto publicista; a ele se deve a tradução de A Conquista do Pão, de Kropótkin. Nas duas primeiras décadas do século XX é uma das grandes referências do ideário anarquista. Entusiasmado pela revolução bolchevique de 1917, na Rússia, abandonada a Confederação Geral do Trabalho (CGT), funda em 1919 e torna-se o principal dirigente da Federação Maximalista Portuguesa, precursora do PCP, partido de que é um dos fundadores, em 1921. Alguns anos passados, em data que não apurei, converte-se, defendendo a ideia de uma igreja social, mantendo as mesmas convicções humanistas.
Data de posse: Dezembro de 1992.

Manuel Ribeiro, A Catedral [1920], Lisboa, Guimarães & C.ª Editores [1935?],
impressão: Lucas & C.ª, Lisboa
págs.: 280

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

2. A GUERRA NÃO TEM NOME DE MULHER (1)

Um livro terrível e belo sobre a condição humana, em particular a feminina. Não é ficção, mas está escrito como se fosse, tal como sucede com Se isto É um Homem, do Primo Levi. A badana da capa dá-nos a forma, de modo justíssimo:
«Alexievich criou um novo género literário de não-ficção que é inteiramente seu. Escreve "romance de vozes". Desenvolveu este género livro após livro, apurando constantemente a estética da sua prosa documental, sempre escrita a partir de centenas de entrevistas. Com uma notável concisão artística, a sua perícia permite-lhe enlaçar as vozes originais dos testemunhos numa paisagem de almas.»
Por detrás da miséria e do sofrimento surge, em todo o seu esplendor, a beleza da fragilidade, da abnegação e do heroísmo humanos.
Não gostei da tradução, infelizmente, mas o alcance do livro ultrapassa esse senão.
Data de posse: Julho de 20017; comprado para o Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro.


A Guerra não Tem Rosto de Mulher, Amadora, Elsinore, 2016
tradução: Galina Mitrakhovich
[1.ª edição original: 1985]
impressão: Publito, Braga
págs: 332

sexta-feira, 26 de julho de 2019

3. A TENTAÇÃO DE EXISTIR (1)

Lê-lo, é deixar-se impregnar pela coragem de pensar -- "pensar contra si próprio" é o título de um capítulo --, tal como sucede, por exemplo, com Nietzsche; é não querer terminar e é perder a noção do tempo. É tentar, sem êxito, escrever qualquer coisa que se aproxime.
Da posse: Junho de 2000.


ficha:
E. M. Cioran, A Tentação de Existir, Lisboa, Relógio d'Água, s.d.
tradutores: Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria.
ano da edição original: 1956.
capa: José Cerqueira.
impressão: Arco-Íris, Artes Gráficas
págs.: 185

sexta-feira, 19 de julho de 2019

4. AFLUENTES TEÓRICO-ESTÉTICOS DO NEO-REALISMO VISUAL PORTUGUÊS (1)


Da posse: Outubro de 1990. Apesar do título esquipático, é um livro muito bem esgalhado e arrumado: como escreve o autor no prefácio, trata-se de uma «história da arte, e portanto já menos uma história das obras de arte, e ainda muito menos a crónica delas.» Deu-me imenso jeito quando preparava as 100 Cartas a Ferreira de Castro (1.ª ed., 1992), e que cito na bibliografia. Profusamente ilustrado com reproduções a preto e branco, uma importância acrescida nesse tempo em que ainda não navegávamos na net; e apesar da modéstia das reproduções era um gosto folhear e confrontar as obras no seu tempo histórico. Foi aqui que pela primeira vez vi A Cega Sanha do Povo, de Roberto Nobre, publicado n'O Diabo, em 1935; e talvez também o Café, do Portinari, do mesmo ano, com toda a repercussão que teve na Exposição do Mundo Português (1940), em especial junto dos jovens pintores e dos doutrinário do neo-realismo. Na capa, um ícone neo-realista, O Almoço do Trolha, do Pomar, de 1946.


ficha:
Fernando Alvarenga, Afluentes Teórico-Estéticos do Neo-Realismo Visual Português, Porto, Edições Afrontamento, 1989.
capa: Gil Maia
impressão: Litografia Ach. Brito
págs.: 209

quarta-feira, 17 de julho de 2019

5. O MEU CORAÇÃO É ÁRABE (1)

da posse: A data da compra: «Natal 87», creio que foi na velha Livraria do Parque, no Estoril. Uma capa austera, quase pobre, mas com fundo suave, que me cativou logo. A Assírio & Alvim entrada já no período de ouro de Manuel Hermínio Monteiro.
É um dos livros da minha vida? Sem dúvida. Da poesia autóctone em língua árabe, creio que então só conhecia o Poema de Alcabideche, do Ibn Mucana, que aqui também surge em nova versão; e foi como se entrasse num pátio andaluz, para utilizar imagem a preceito.




ficha:
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.
colecção: «Documenta Poética» #7
impressão: Guide -- Artes Gráficas
tiragem: 2000
págs.: 190

terça-feira, 16 de julho de 2019

lista: 1 a 6

1. A Catedral, de Manuel Ribeiro (1920) - Literatura portuguesa. Romance.
2. A Guerra Não Tem Nome de Mulher, de Svetlana Alexievich (1985) - História da II Guerra Mundial.  História do Século XX. Historiografia.
3. A Tentação de Existir, de E. M. Cioran (1956) - Ensaio. Filosofia. Fragmentos.
4. Afluentes Teórico-Estéticos do Neo-Realismo Visual Português, de Fernando Alvarenga (1989) - História da arte. História de Portugal. História do Século XX.  
5. O Meu Coração É Árabe, de Adalberto Alves (1987). Poesia. Poesia do Al-andaluz. História de Portugal.
6. Os Charutos do Faraó, de Hergé (1934/1955). Quadradinhos. BD franco-belga.